sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Entrevista: Pedro Cebola (Centro Tibetano de Faro)

Grupo: O que o motivou a criar o Centro Tibetano?

Pedro: A criação do Centro deveu-se, fundamentalmente, a duas componentes: a parte espiritual que está, claramente, associada ao desenvolvimento pessoal pois sou budista há quase 20 anos e a vertente terapêutica andando, as duas, completamente de mãos dadas.
Aliás, eu costumo dizer, muitas vezes, que, no Budismo, quando se está a meditar está a fazer-se uma espécie de terapia com o próprio corpo. A base do equilíbrio eu acredito que esteja assente em três pilares: no que a pessoa come, na forma como a pessoa respira e na forma como a pessoa pensa, ou seja, como a pessoa controla os seus pensamentos e, este Centro fornece todos estes componentes e aqui está a base e os motivos que intervieram na criação deste Centro.

A própria Medicina, a Ayurvédica, a Indiana e a Tibetana defendem estes valores e, aqui no Centro, defendemo-los, igualmente.

G: Porque é que optou pela Medicina Alternativa como método de tratamento ao invés da Medicina Convencional?

P: Acho que cada Medicina tem o seu próprio papel. Não concordamos com o facto de se chamar Medicina Tradicional à Medicina Convencional pois a palavra “tradicional” aplica-se à Medicina Tradicional Chinesa. Como disse, cada uma tem o seu espaço mas nós temos, fundamentalmente, uma perspectiva: enquanto que a Medicina Convencional se preocupa em tratar a doença, a Medicina Alternativa, chamadas igualmente de Medicinas Orientais, estão preocupadas em tratar a pessoa. Por exemplo, se o paciente tiver uma dor de cabeça, essa pode ser originada por vários factores e a Medicina Convencional está, apenas, preocupada em combater essa dor. Já a Medicina Alternativa quer saber porque é que o paciente a tem. Há vários motivos e ao sabê-los não se está a resolver aquela situação, naquele momento mas vai possibilitar que o paciente não tenha mais nenhuma dor de cabeça e esta é a grande diferença que considero que existe.

G: A Medicina Alternativa, tal como a Medicina Convencional, também diagnostica doenças ou serve, apenas, como método de tratamento?

P: Não. Aliás, quando falamos em Medicina Alternativa estamos a falar, fundamentalmente, em quatro grande áreas: a Medicina Tradicional Chinesa, onde temos a acunpunctura e não só; a Ventosoterapia (vários tratamentos baseasos na primeira referida); a Medicina Aurvédica que começa a ser bastante vulgar no Ocidente; a Naturopatia ou Homeopatia. De facto, quando falamos em Medicina Alternativa estamos a falar de uma Medicina que requer mais estudo e formação que a Medicina Convencional e para se ser um médico Ayurvédico são precisos mais de oito anos.
Para além destes ramos, temos ainda as Medicinas/Terapias Energéticas (o Reiki, as vidas passadas, cromaterapia) que as pessoas tendem a reduzir ao conceito de Medicina Alternativa. Contudo, a Medicina Alternativa é mais que o ramo Energético e muitos deles contam com cursos superiores.

G: Que importância tem a religião no seu método de trabalho?

P: Religião não, mas a minha espiritualidade esteve na base de todo este processo, ou seja, como referi, sou budista e mais importante que as religiões, são os valores e todas as religiões transmitem-nos. Por vezes, há pessoas que se aproveitam deste factor para benefício próprio. Mas, é lógico que a minha espiritualidade, ser budista, ajudou-me, claramente, a avançar com este projecto porque eu pretendo, exactamente, uma perspectiva global e harmoniosa interligadas que são a base de uma vida em equílibrio. Contudo, há questões mais profundas.

G: Qual a sua opinião acerca da maioria dos médicos ser contra a Medicina Alternativa e não a reconhecer como método de tratamento legítimo?

P: Eu poderia responder a esta questão de duas formas: uma simpática e outra menos simpática. Numa forma menos simpática, diria que me é indiferente o que eles pensam porque na realidade, o que interessa, são os pacientes e como são tratados e curados sendo este o objectivo. Numa forma mais simpática, diria que é lógico que todos nós conhecemos os interesses não só dos médicos mas também, da classe farmacêutica e isto não passa de uma tentativa de evitar concorrência. Mas isto pouco me interessa porque estas medicinas são reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e essa sim é que me interessa. Agora, se há interesses cooperarivos de classe que impedem ou tentam impedir, é-me indiferente.

G: Como acha que irá evoluir a Medicina? Continuará a predominar a utilização de fármacos sobre os métodos alternativos?

P: Espero bem que não haja uma predominância de fámacos. Melhor, espero bem que as pessoas não dependam deles como cada vez mais dependem dos ansiolíticos e anti-depressivos. Infelizmente, quando não se descobrem as doenças das pessoas e isto acontece cada vez mais, as pessoas “enchem-se” de químicos que pode ajudar naquele momento, mas que, têm uma progressão no futuro para a vida. Por isso é que defendo os métodos naturais como ervas e tramentos energéticos o que não impede que se usem os fármacos como contra-peso independente.

G: Acha possível uma complementaridade entre os dois tipos de Medicina: Convencional e Alternativa?

P: Sim, ambas se complementam e dependem uma da outra. Explico, exactamente, nas palestras e conferências que dou, que uma não pode estar contra a outra. Muito pelo contrário, têm que procurar conciliar-se porque precisam uma da outra.

Pedro Cebola

2 comentários:

Inês Barreiros disse...

Muito interessante.
Parabéns pelo trabalho desenvolvido! :D

Jorge Pontes disse...

Muito Obrigado, Inês! :)